O retorno
Muito se fala de rertornos em literatura fantástica e até mesmo em literatura religiosa, mas o que seria isso de retorno, seria o retorno a ânsia da alma homana a ausência deflagrada do seu self em frente as diversas mudanças que surgiram no decorrer de sua vivência, ou seria então a pura nostalgia de poder sentir o que se antes sentia por ter o gozo da inocência de ideais e ideias?
O retorno muitas vezes marcado como algo mágico, inalcançável, mas imensamente desejado, o retorno de um salvador, o retorno de uma paz, o retorno de um filho, o retorno do gozo... mas o que seria esse sentimento de ânsia ao retorno?
Seria culpa de um processo altamente externo e alheio a nós mesmos, ou seria então, uma falha sistêmica humana de não querermos assumir que em meio à vida cometemos erros e esses erros viera a causar o que somos hoje.
Mas então, o que somos nós hoje?
Eu creio que ao longo dos dias e anos que vieram seguidos da paz que tivemos, nos trouxeram a soberba de culpabilizar uns aos outros sem então fazer a real análise de nós mesmos. Posso ver isso no dia-a-dia, quando o debate de qual religião é a melhor está acima do caráter de um humano, quando em vez de seguir o que se vê ser coreto e íntegro, o ser humano prefere culpabilizar e terceirizar sua mediocridade, em vez de chegar, se analisar e dizer, eu não concordo, o ser humano vêm e muda de autoanálise para ataque generalizado, escolhe outra religião que se identifica, escolhe um novo 'herói' a quem seguir e vive assim na sua idolatria medíocre à figurinhas para então fazer qualquer coisa que tire de si o poder de escolher, de decidir, e terceirize assim a culpa quando tudo der errado.
Pois é muito mais fácil e simples eu dizer que 'ah, eu não concordo com o que político "x" fez, mas é só eu não votar mais nele.' do que falar a verdade dolorosa de que "político 'x' só chegou onde chegou graças à sua (e de muitos outros) ineficiência em olhar para si e assumir seus erros e assim crescer corrigindo-os.
É infinitas vezes mais fácil eu apenas dizer que não concordo com o catolicismo por exemplo, do que eu chegar para o padre, ou cispo e ter uma reunião onde alinho meus pensamentos, tiro dúvidas com o estudioso, e então coloco minha opinião e pensamento em palavras para então poder debater e aprender verdadeiramente. É mais fácil eu trocar minha lealdade do que colocá-la em jogo, pois se for para realmente ser colocada em jogo, creio que pior que Pedro estão todos, pois tratam a ética e o caráter como uma roupa a qual vestem e trocam quando não lhes serve mais.
O retorno desse blog, talvez esteja então ligado à muitos fatores que talvez eu venha ou não pontuar ao longo de minhas postagens, mas, acima de tudo está não na nostalgia e sim no resgate ao meu self que se viu perdido, sufocado e afogado em meio à tantas mudanças que impactaram, e ainda hão de impactar minha vida.
Espero poder ter novamente, alguns senão todos os meus leitores antigos, e talvez quem sabe muitos outros para compartilhar comigo um início de uma nova era, não de terceirização, mas de auto-análise, onde possamos parar de buscar em outros algo que está, e sempre esteve, em nós mesmos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário